sábado, 27 de novembro de 2021

 

Philosophus Tavernisticus #10

 Erudito Versus Popular II

Não iria me estender no assunto da semana passada, mas... como fizeram um auê em relação aos preços (altíssimos) das inscrições para o prêmio Jabuti (reclamarão por causa da letra minúscula usada em prêmio), resolvi usar a temática anterior.

Vamos lá. É caro. É caro e ponto. Devido a isso, somam-se os adjetivos elitista e excludente. Autores independentes pagam R$457,00. Muito dinheiro para uma inscrição. É um filtro?

“Ah! Mas teriam 500 livros de autores independentes para serem lidos. Fica inviável.”

Repense o edital. Crie novas formas, critérios, maior número de avaliadores.

“Não é prêmio de várzea.”

Para isso não tive resposta. Só confirmou que é realmente elitista e usa o poder econômico como régua de parâmetro.

Opa! devo avisar, atrasado, que as frases entre aspas foram faladas a mim, quando me posicionei quanto ao preço.

“Não é para premiar livro de historinha.”

Também confirma minha posição.

“Mas o jabuti não é prêmio de várzea, não tem que ter mil independentes mesmo.”

Essa última frase além de preconceituosa, só demonstra que a pessoa não entende como funciona o mercado.

É da quantidade que se extrai a qualidade.

Todas as frutas de uma macieira são perfeitas?

Todos os grãos de café de uma planta cafeeira são perfeitos?

Sempre são selecionados. Seleção é palavra que demonstra significado conhecido: escolher, separar, selecionar. E tem um que gosto: Escolha feita com critério e fundamentada nos motivos do fim que se quer obter. Quero o melhor? Procure em todos os lugares, para ter certeza que o melhor foi selecionado e para simplesmente ser justo.

Queria o responsável por essas falas arrogantes e preconceituosas entendesse que o talento pode nascer em qualquer lugar.

Ninguém nasce com uma plaquinha indicando que é possuidor desse ou daquele talento.

Ainda mais no país do analfabetismo funcional, da educação vilipendiada diariamente. Usada apenas em anos bissextos como devaneios políticos, que induzem a alucinação coletiva em busca de dias melhores.

Entristece-me muito. No fim entendi que a pessoa fez ataques velados à minha pessoa. Foi uma questão pessoal recheada de inveja destilada em barris de carvalho, com tons de soberba e aromas de orgulho ferido.

Porque no fim, eu escrevo, publico, ele não.

Brigo pela democratização da arte. Literária ou musical. Brigo contra esse brilho olimpiano que tentam revestir o erudito. Alguns chamariam de gourmetização. Eu chamo de idiotice mesmo.

Lembro-me de que em fins de 1999 eu andava pela livraria Saraiva que ficava no Shopping Center Norte em São Paulo e havia uma sala separada com ar condicionado para os cd’s de Jazz e Música Erudita. Eu, como músico erudito, formado em conservatório achei extremamente ofensivo, baixo, vergonhoso, elitista e excludente. Jazz, música de negros pobres que o mercado fonográfico “gourmetizou” para vender para brancos ricos (mas isso já é outro assunto de 50 páginas, rs). Achei a sala da Saraiva de extremo mau gosto. Mas é isso. Fica aqui o protesto.

Em tempos de livrarias falindo, fechando, demitindo funcionários, não repassando vendas para editoras, ainda há imbecis que acham que a arte é coisa para vender aos ricos. Faltam-lhes talvez entender que a expressão humana é... humana e não de um punhado exclusivo de intelectuais que se acham melhores, pois escrevem com palavras que poucos entendem o significado.

E como disse Saramago:

Somos todos escritores, só que alguns escrevem e outros não.

 

#culturapop #literatura #livro #filme #cinema #opinião #literaturanacional #autornacional

 

Philosophus Tavernisticus #9

Erudito Versus Popular

Essa disputa sempre rondou minha vida como artista. É... Às vezes esqueço-me de afirmar-me como artista. Eu sou e ponto. Então... Como artista da música, eu naveguei com um pé em cada canoa: a canoa erudita e a canoa popular. Como intérprete de violão clássico, jamais me estabeleceria financeiramente da maneira que queria. Morava em cidade pequena, longe dos grandes centros culturais, lá nos anos oitenta. Internet? Só em ficção científica. Bom. Por isso eu tocava violão clássico, guitarra, viola caipira, dava aulas e tudo que aparecia. Engraçado que vivi uma época onde as crianças ganhavam violão de presente no natal e em janeiro vinham até minha casa para aprender e isso era bom. Mas tenho amigos que optaram apenas pelo ensino do erudito e diminuíram muito sua amplitude de trabalho. E sofreram com as dificuldades que apareciam. Por que optei navegar nos dois oceanos distintos? Primeiro por que um alimenta o outro. Eu deveria escrever umas cinquenta páginas explicando tudo, mas não é nem artigo acadêmico, nem livro. Vou tentar resumir...

Como eu queria viver de música, não importava o tipo de trabalho. Eu queria tocar, ensinar, viver com o violão ou a guitarra no colo. O resto é bobagem. O resto é rótulo que a indústria fonográfica criou para facilitar a venda. A música é uma coisa só. O século XX que estragou tudo. Recomendo a leitura do livro “Maestros, obras-primas e loucura – a vida secreta e a morte vergonhosa da indústria da música clássica” de Norman Lebrecht. O livro trata especificamente da indústria da música clássica, mas dá para fazer ligações com o que quero discutir.

Vamos pensar lá em 1877, quando o Thomas Edison inventou o fonógrafo (aqui também precisaria de mais 50 páginas para explicar tudo... Resuminho sendo necessário). Então está. Inventaram um aparelho que grava sons. Como vamos ganhar dinheiro com isso? Alguém deve ter pensado: vamos gravar música. Por que até então a música só acontecia ao vivo. Só existia durante a execução do artista ao piano, ao violino, ao violão. Foi um momento magnifico. Música agora poderia ser levada consigo a qualquer lugar. Então Thomas Edison cria a Edson Records e começa a comercializar música. Virou produto, precisa de rótulo e por aí vai.

Acho que já dá para começar a falar sobre a minha tese. A disputa entre o Erudito e o Popular.

Nunca fiz distinção. Para começar tenho que deixar isso bem claro.

Sempre adorei tanto Bach e Villa-Lobos quanto Dilermando Reis e Canhoto. Música boa de qualidade não importa a origem. E tenho que lembrar que muitos temas “eruditos” são coisas que compositores colheram com músicos ciganos, etc.

E na literatura? Como o Guto faz?

A mesma coisa. Não acredito que só o cânone serve ou presta. Leio de tudo. Gosto de passear nos lugares que ninguém anda. Ermos, escuros. Subterrâneos, escondidos. É ali que a coisa acontece. Imagina se a gente só lesse tomos que passam por crivos acadêmicos. Apenas músicas de compositores com títulos de doutores em música. Não é assim que acontece. A arte nasce em qualquer lugar, em qualquer tempo. Nada impede da arte acontecer. Veja a pintura rupestre e ou os instrumentos encontrados em cemitérios descobertos em sítios arqueológicos. A arte, a expressão é intrínseca ao humano. O resto é rótulo para a prateleira das lojas. Ou você vai me dizer que o samba surgiu nos cantões acadêmicos, nas bibliotecas? Hum... Não surgiu, né?

E é isso. Como sempre apenas a minha irrelevante opinião.

Deixando claro que a erudição me importa muito para explicar de onde viemos e apontar possíveis caminhos. Mas ela, se não se manifestar, não impedirá a arte de subverter a terra arrasada. Ela vem depois. Para organizar e refletir a explosão da arte contida em cada humano.

Comente, por favor. Converse comigo.

Senão da próxima vez escrevo as cem páginas que deixei de lado.

 #culturapop #literatura #cinema #livro #filmeselivros #erudito #popular #opinião

 

Philosophus Tavernisticus #8

Constância

Não. Não é sobre uma mulher. Poderia ser, até... Mas nesse caso não é. Aqui trataremos a constância como aquela coisa que faz diferença em tudo, desde aprender um instrumento e ou fazer uma dieta. Coisas óbvias que ninguém dá bola.

Pensando em meus textos lá do começo, vou aqui continuar as dicas sobre minhas maneiras de trabalhar a escrita.

Primeiro devo dizer que escrever semanalmente para o Literatura Errante já atende a alguns princípios que tento seguir. Um deles é manter um ritmo, uma frequência, uma constância, oxi! Olha ela aí de novo.

Como já devo ter falado anteriormente, sou músico, estudei violão erudito e tal, mas enveredei pela literatura. Há uma coisa que podemos estabelecer como um paralelo, nas duas expressões artísticas, a ideia de que treinar facilita o aprendizado. Não. Não é decoreba ou adestramento. É desenvolver uma familiaridade ou intimidade com o processo. Não adianta saber vários termos em inglês; infodump, cliffhanger, storytelling, plot, plot twist e saber todas as etapas da Jornada do Herói. Não adianta se você não escrever, não se arriscar, conhecer pessoas, amar, ter raiva, se frustrar, viver. Ah! E ler muito. E claro, com constância. Já falei sobre observação e coletar um repertório de vivências. Mas se não sentar e escrever não adianta nadinha de nada.

Esqueça todas as regras e todas as dicas, mas sente-se e faça alguma coisa.

Escreva, leia, leia em voz alta, leia depois de uma semana. Estabeleça prazos, mas não deixe de escrever.  Faça rascunhos, tenha um caderno por perto, escreva à mão, à máquina ou no teclado do computador. Mas escreva. Rasgue as amarras da sua alma assombrada e conte seus medos, suas angústias, misture ficção à realidade em que vive. Imagine-se diferente, ou desabafe. Deixe seus fantasmas ditarem suas palavras. Desnude-se. Na pior das hipóteses alguém vai ler e achar bom ou ruim. Mas você não vai perder uma perna por isso. Eu acho...

Escreva para você em primeiro lugar. Sempre você será a primeira e mais sincera audiência. A mais verdadeira crítica. E se de tempo. Sempre vai achar que tem algo a melhorar. Mas isso é bom. Tenho medo de acertar e nunca mais escrever. Quem sabe o cerne de tudo seja esse: A eterna busca pela perfeição. O desejo de superação pessoal. A necessidade de encontrar a escultura perfeita ou a música definitiva, a fotografia perfeita. A obra que reúna em si a mais pura expressão humana e a mais poética declaração da habilidade de expor a emoção mais sublime. Ou pelo menos a tentativa eterna de realizar essa tarefa.

Quem saberá quando isso ocorrerá?

A genialidade nasce em qualquer lugar. Desistir não é opção. Seja constante. Jamais desista. Escreva.

Até semana que vem.

#literatura #filmes #técnicaliterária #literaturanacional #culturapop #cinema

 Philosophus Tavernisticus #7

A razão da escrita

 

Acabei de ler o prefácio de meu livro preferido e uma frase me tocou.

Acho que nada é feito sem motivo. Mesmo que seja um motivo simples ou banal, ele estará lá, no início de tudo.

Escrever semanalmente para este blog me oferece o motivo. Semanalmente, apenas decido o assunto para um novo, ou pego algum texto pronto e abasteço o espaço em branco da página de postagens.

Acho interessante o que a rotina pode promover. Não acredito muito em inspirações divinas ou mágicas (que acontecem, mas não dá para ficar contando com a sorte), por isso o esforço e a constância me são importantes. Pode ser que a inspiração seja bissexta. Não sei... Vai que não aparece...

Sendo assim, vamos ao trabalho.

Antes, eu tinha pensado em continuar falando sobre Narratologia, mas acho que não quero mais. Vou falar sobre a frase do prefácio de meu livro favorito:

“Quis fazer isso para minha própria satisfação, e tinha alguma esperança de que outras pessoas ficassem interessadas nesse trabalho, [...]”.

Antes que fiquem bravos comigo, esse é o prefácio do livro “O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel.”.

Estou relendo a trilogia. Por pura diversão. Talvez lá no fundo exista uma busca de inspiração, mas na primeira camada de leitura é pura diversão, insisto.

Sabe por qual motivo? A vontade de me transportar para o primeiro amor. Hoje a Literatura é meu trabalho, meu objeto de estudo. Leio muitas coisas para analisar, estudar, aprender. Mas em alguns momentos devemos parar e lembrar o motivo inicial. Você já se perguntou como escritor, o motivo de tudo? Fama, sucesso, grana, reconhecimento? Eu tenho questionado essas coisas. Se a busca por produzir uma obra literária de sucesso e que seja lida e vendida aos borbotões, encontre a resposta em uma produção em série de trabalhos vazios. Escutei uma conversa que me levou a essa questão: “Ah, meu amigo trabalha na editora responsável por esse concurso e me disse que o procedimento de escolha é esse: Primeiro; vão ver se a sinopse e a defesa da obra são chamativas; ou interessantes. Caso sejam, o próximo passo é ler determinadas páginas onde se encontram os plot twists ou pontos chaves na história. Aí se isso houver, irão ler umas quarenta ou cinquenta páginas.”.

Está bom... Fiquei pensando: Tal página terá um plot twist, ou um cliffhanger, e não pode ter infodump? E também deve ter, em tal capítulo, um Deus Ex Machina ou um Diabo Ex Machina? Será que a Miojização chegou à Literatura? Será que além do Sertanejo e do Pagode Universitários teremos a Literatura Universitária? Quem não entendeu a comparação talvez seja uma pessoa feliz. Algumas vezes não entender certas referências é uma dádiva, uma benção. Será que chegamos a Era da Fordização (isso seria a utilização do fordismo – um sistema de produção industrial em série) ou Taylorismo da Literatura, melhor dizendo, do mercado literário. Sim, estou me repetindo, já falei esses termos em outros textos. Mas são os ecos da produção artística em série, destruindo o conceito que Tolkien seguiu ao escrever seus livros. Bom, pelo menos é isso que acho.

Eu entendo o conceito de Tolkien como o fazer a arte pela arte, fazer pela satisfação de criar ou de simplesmente descarregar as histórias que invadem nossas mentes e nos obrigam a dividi-las com os outros.

Não quero dizer o que é certo ou sei lá o quê...

Só quero pensar e ou convidar à reflexão.

Será que teremos que seguir essas regras de mercado? Será que tudo tem que seguir as receitas de bolo? Mas e o tempero? Vichi... Não sei se essa analogia funciona. Quais seriam melhores? Comparar com a Indústria da Música? Tenho certeza que vão pensar: Ah!, mas (sim, depois de uma interjeição não precisa escrever com letra maiúscula) se o cara for bom, ele ou ela vai encontrar meios para quebrar essa constante. O talento sempre vence. Sim, eu concordo... Mas será que estão tentando quebrar as regras da miojização ou estão cegamente tentando fazer tudo para ser o próximo produto instantâneo da prateleira? Há quem se lembre dos clones de Chitãozinho e Xororó, aquela enxurrada de duplas com o mesmo corte de cabelo. Ou das cantoras que não sabemos se é essa ou aquela dupla. Algumas vezes até os nomes são parecidos para enganar aos incautos. Agora me parece que a moda é a barba e o corte de cabelo. Está bem, nada contra. Cortem os cabelos e usem as roupas que quiserem. Se a dupla está bem com isso e se sente bem, ótimo. Mas, me pergunto se é uma coisa mercadológica apenas. Posso comparar, essa questão das roupas e visual, aos nomes de livros com a “Garota” no título. Ou a “Menina”. Acho que se colocarmos essas palavras no título, as vendas serão automaticamente impulsionadas.

Achei de extremo mau gosto, os tradutores do livro, “Florence and Giles”, utilizarem o seguinte título em português: A Menina Que Não Sabia Ler.   

Não sei se estou sendo claro. Se não, o texto não se aplica aos meus interesses. Mas é isso. Eu quero que a razão de minha escrita seja a satisfação. Seja o prazer da leitura. Tanto o meu próprio, quanto o dos hipotéticos leitores de minha feitura literária (antes de Feitura, escrevi Produção – para não causar maus entendidos, preferi trocar).

Então é isso. Lanço a pergunta:

Qual a razão da escrita?

P.S: Lembrando que quero ser lido e vender, rs.

P.P.S: Sem hipocrisia, entendo as necessidades do mercado, mas é necessário tudo obedecer às regras? Ou se encaixar em um padrão?

Até a próxima! 

#opinião #literatura #cinema #culturapop #livro #filmeselivros

 

Philosophus Tavernisticus #6

 

A estranha vida de um sonhador

Atualizado: 9 de Out de 2020

 

A vida ora traz eventos que desaguam em oportunidades e, ora traz ações onde nossas ambições e sonhos convergem e se realizam. Mesmo que, em outro momento, o planejamento não aconteça. São as tais conspirações universais que nos levam ao almejado sucesso.

Acho que foi assim que ocorreu comigo.

Um dia falei para meu pai que queria aprender a tocar violão para tocar na missa. Alguns anos depois estava dando aulas de violão erudito. Estudei tanto e me dediquei tanto que toquei em missas pelo Brasil inteiro durante anos. Me profissionalizei em um trabalho que para todos é relacionado a talento e sorte. Tanto que a maioria dos que tocam algum instrumento musical considera a atividade como hobby. Eu, na verdade, ao notar o prazer imenso que tocar me proporcionava, resolvi viver da música e conquistei o mundo com um violão no colo. Mas o amor pela leitura e livros seguiu paralelo. Tenho quatro tias professoras de língua portuguesa. Graças a esse parentesco, cresci rodeado de livros e aprendi a dar um valor inestimável a eles. Pequeno, já tinha lido todos da série Vaga-lume. Lembra? Marcos Rey era meu escritor favorito. Uma tia, a Regina, percebendo meu interesse me fez ler alguns clássicos, Machado, Veríssimo, etc. Meu primeiro livro de presente foi Papillon e depois um dicionário. Mas ainda a música era o filão principal, a fração maior de minha atenção. A literatura era a paixão platônica, a amante. Vez ou outra ganhava um concurso de frases, um de poesias, redações. Gostava de escrever, mas não me imaginava escritor. Até que muitos anos depois, eu já estava bem estabelecido na música e comecei a escrever um livro. Era um trabalho de faculdade. Mas ficou grande demais e se transformou no Conspiração Nazi. Rapidamente, consegui vender a pequena tiragem e até fui parar em um stand na Bienal do livro de São Paulo em 2016. Infelizmente, a editora que produziu o livro não acreditou no potencial de vendas do livro. E aconteceram situações inversas. Eu, na correria para divulgar o livro acabei abrindo caminho para a editora. Os booktubers que faziam resenhas para mim, logo em seguida eram contatados pela editora para fazer resenhas de outros livros. Foi um momento que percebi que estava sozinho. Que tinha um bom produto, mas não tinha distribuição ou meios para aumentar o alcance das vendas. A editora era focada em poesia e em trabalhos de autores em domínio público, não estava interessada em atingir o público de meu trabalho. Apesar de gostar muito dos donos, notei que ali não daria mais frutos. E deixei acontecer. O que o futuro me reservava?

Como nunca penso pequeno e sempre me preparo para o futuro, comecei a analisar o mercado e descobrir qual o perfil de meus leitores e se seria possível viver da literatura. Descobri que o mercado é imenso. Apesar de todos os problemas que podemos ter: Sim é possível viver de livros. Escrevendo, revisando, fazendo palestras, etc. Existem cursos de leitura criativa, escolas, faculdades, etc.

Agora diga para mim, que vivi do Violão Erudito no País do Carnaval, do Funk. Viver da literatura é impossível? Não, não é! Acredito muito no potencial do meu trabalho. Consegui mais de mil curtidas em minha página do Facebook no boca a boca ou no tecla a tecla. Ainda não sei bem o que houve. Mas há um problema, meus livros esgotaram. Minha ambição? Viver de inventar! Inventar contos, personagens, situações, histórias, emoções, sentimentos. Viver da literatura, das palavras, dos livros. Criar um mundo onde as pessoas possam se refugiar. Dividir com meus leitores minhas opiniões, reflexões. Mas como em uma conversa de bar. Sem soberba, sem verdades absolutas. Só viver o momento entre o derrame da cerveja no copo e o primeiro gole. Se nesse momento em uma gota de suor do copo uma vida inteira acontecer em um mundo microscópio bem. Se não, amém. Mas sobretudo, quero me divertir!

O sonho? Não sei..., mas acho que está se realizando!

#literatura #opinião #cinema #culturapop #música #divagação #escrita #opinião

 

Philosophus Tavernisticus #5

 

Klaatu Barada Nikto

 

 

Se esse título não tem efeito em sua memória, vejo apenas duas possibilidades: você é uma pessoa muito nova ou, caso contrário, não preza em manter elementos de cultura pop em suspensão no seu cérebro, para se referir, em rodinhas de conversas informais, à música, filmes, livros, séries, histórias em quadrinhos ora para fazer gracinhas ora para demonstrar que como todo bom nerd, está cheio de paralelos, analogias, comparações. Já vi usarem essas referências ao universo pop de todos os modos, para todas as finalidades. Desde puro esnobismo esquizofrênico intelectual; para impressionar amigos, amigas; até seduzir pretendentes. O que dá no mesmo: Pura vaidade.

Entretanto tal conhecimento serve, poucas vezes, para análises dessas artes da expressão humana. Como há uma retroalimentação de ideias, conceitos. Vez ou outra tudo se mistura. E tenho a impressão que, de certa forma, o humano – presença constante e cerne de toda criação artística - é o primordial assunto dessas expressões.

Sou fruto do meu tempo. Li literatura fantástica, não ficcional, utopias, distopias, realistas, especulativas. Assisti aos filmes baseados nessas literaturas. E nesse tempo de isolamento social, a arte me salvou, tomara que todos tenham sido salvos pela arte. Mas não vejo um renascimento cultural como dizem alguns otimistas. Talvez ao descobrirem uma cura tudo volte ao normal. Mas ao pensar nesse texto não quis seguir por caminhos de fluxos de consciências descrevendo minhas angústias, medos, falar de meus traumas, visões desse mundo desgraçado pela doença. Elevar as vozes que talvez soassem universais e não sendo herméticas atingiriam todos. Como a doença atingiu.

Preferi lembrar-me dos avisos do passado, das veladas vozes da consciência universal que através dos artistas nos avisam. Vamos tirar o véu, o verniz desses avisos.

Lembro-me de Platão e o Mito da Caverna toda vez que vejo noticiários, exercício de todos os dias para acompanhar as desgraças do novo normal do cotidiano da pandemia. Fake News são as sombras projetadas nas paredes da Caverna. Mesmo que não sejam falsas, nunca saberemos as verdades absolutas. Quem manipula as sombras que vem dos palácios do Olimpo Brasiliano do Cerrado?

Lembro-me de Philip K Dick que sempre questionou a realidade. Realidade que em suas danças midiáticas televisivas troca de parceiro de acordo com a tão citada Guerra de Narrativa. Parece-me Hemingway: “Quem estará nas trincheiras ao teu lado?” “‐ E isso importa?” “‐ Mais do que a própria guerra.” Tire suas conclusões. Não vou influenciar sua interpretação.

Lembro-me de histórias onde um personagem escrevia uma carta e colocava em garrafa, o mar se encarregaria de encontrar o destinatário. O termo navegar, hoje usado para explorar a internet, justifica essa lembrança. Somos náufragos em nossas próprias casas e a tecnologia nos aproximou desses heróis de idos tempos, perdidos e sozinhos em ilhas paradisíacas. Somos náufragos em nossos lares.

Lembro-me de Willian Gibson, Neuromancer, seu livro, fala de uma sociedade que vive em um mundo virtual, fala de deuses que ascendem no mundo virtual. Fala da alta tecnologia e da baixa qualidade de vida. E dá início a um subgênero de literatura chamado Cyberpunk. Nos anos oitenta era distante, irreal, especulação forçada, subliteratura, relegada a uma segunda classe literária. Hoje realiza a proeza de refletir as preocupações do momento histórico que está inserida, ao mesmo tempo, esses livros antecipam situações, possibilidades, eventos do futuro próximo ou longínquo. Situações que, muitíssimas vezes, se transformam ou inspiram realidades. Se isso não for literatura de altíssimo nível, primeiríssima linha, eu não sei, nem reconheço o que é.

Mas não farei desse texto um debruço sobre a função ou a qualidade literária da ficção especulativa ou científica. Chame-a como quiser. Como supracitado quero falar do material primitivo de toda arte. O Humano.

O ser que caminha nesse planeta - eu estou quase chamando de redondeta para irritar os terraplanistas – parece que sempre procurou respostas. E agora uma pergunta nos atormenta: Como será depois?, e, logo em seguida: Como será o mundo pós-pandemia? Não tenho respostas. Nem ninguém. Mas não consigo deixar de me lembrar de um filme que agora é emblemático. Não há como deixar de relacionar. Você já deve ter adivinhado. Sim. Estou falando de “O Dia Em Que a Terra Parou”.

Vou dar uma resumidinha. No filme aparece uma nave – ela pousa em Washington - que pensam ser soviética. A história é de 1951; guerra fria iniciando; URSS x USA; testes nucleares. Aquele contexto horroroso. Klaatu (um alienígena) é baleado por um soldado que o julgava inimigo. É levado a um hospital, onde se cura rapidamente e recebe a visita do secretário de Estado dos Estados Unidos, a quem pede ajuda ao presidente para organizar uma conferência de líderes mundiais. O secretário encaminha sua proposta ao governo, que a recusa. Para qual motivo? Klaatu trazia um ultimato aos líderes da Terra, para que eles acabassem com as guerras e com a corrida armamentista, o que estaria preocupando os habitantes de outros planetas.

Mas o que isso tem a ver com a pandemia? No contexto sócio político do filme, que é verdadeiro, vemos o mundo à beira de uma possível destruição nuclear. Em um momento do filme, para demonstrar sua força e poder, em um dia, todos os aparelhos elétricos da Terra param de funcionar ao mesmo tempo.

Em nosso mundo, cenas parecidas ocorreram, devido ao isolamento social. Quem assistiu ao filme relaciona as imagens, não tenho dúvida. Ruas vazias, ruas sem trânsito. De uma hora para a outra a vida parou.

Outra coisa, que a pandemia me fez relacionar histórias de ficção científica, foi a queda da máscara de pessoas no poder, na mídia e a eterna estratificação social que rege as rédeas do mundo.

A doença só é democrática em relação ao contágio. Não escolhe quem contamina. Mas desnuda a violência da pífia qualidade de vida, a incapacidade de deixar de trabalhar na rua e fazer Home Office, a carência de cuidado e bem estar social propagada em palanques, mas nunca realizada.

Fala-se da Itália, da Inglaterra, dos doentes em Nova York. Mas e os países africanos? E as favelas? E o pobre que move a roda da sociedade? Queriam usar africanos como cobaias? Ainda vivemos o colonialismo? Neo Colonialismo?

Só espero em raros momentos de otimismo que tudo se recupere. Senão, no fim quem vai sobreviver serão os povos indígenas. Eles retomarão a terra que lhes foi tirada e, por puro merecimento, repovoarão a terra devastada. Com o respeito que ela merece, e, que penso, só ser lhe dado por esses povos dizimados, caçados, e sem voz.

Enfim, é uma pena ver que distopias são mais prováveis que utopias. Mas seguirei com fé.

#literatura #culturapop #cinema #livro #música #scifi #opinião

 

Philosophus Tavernisticus #4

 Carta de Amor (Não correspondido)

Atualizado: 14 de Set de 2020

Lorena, Um Dia qualquer...

Belíssima!

Desculpe a impessoalidade por escrever uma carta no editor de texto do computador. Acho tão impessoal quanto uma carta datilografada. Falta o cuidado, a escolha do papel, a pressão da caneta. Lembro-me da época em que lhe escrevia em folhas de papel vergê, com a gramatura escolhida de forma que o relevo das ranhuras da folha não atrapalhasse o deslizar da ponta da caneta. Cuidado que um frio teclado de computador não lhe oferece.

 

Esses detalhes estão implícitos no cuidado de quem ama verdadeiramente. São os detalhes que fazem a diferença no amor. E ao escolher o papel imaginava o toque de suas mãos ao ler a carta. Claro que seus olhos passando pelas curvas de minhas letras seriam menos machucados pela luz branca de um editor de texto, o amarelado do papel, lhe seria uma carícia também.

 

Desculpe a prolixia. Fico fazendo rodeios explicando meus métodos, pois eles podem ser explicados, esclarecidos. Meus sentimentos não. Não posso descrever a saudade, nem relatar qualquer emoção nascida da distância. Qualquer emoção não representaria a mensura impossível da verdade de minhas emoções.

 

Ensaiei anos fazer essa carta. Queria dizer-lhe o que escrevo, olhando em seus olhos, medindo suas reações, mas o destino não quis assim. Lembro-me da última vez que a olhei. Lembro-me do que vestia, dos assuntos que conversamos. Lembro-me dos seus gostos e de seus sabores. Lembro-me de tudo. Mas nada fez diferença. O destino não quis assim. Mas essa máxima é a fala dos amantes frustrados, perdidos, dos não correspondidos. Porque o amor é apenas mais uma escolha. Não o amor puro, idealizado. Mas esse amor que você dizia sentir por mim. No fim não fui a sua escolha. Não há destino. Nosso caminho é fruto de nossas escolhas. E no momento que o caminho propôs uma escolha, não fui escolhido. Talvez, eu, também não escolhesse você. Talvez o significado de amor seja tão concebido de forma errônea que ao ser exigido verdadeiramente a pessoa descubra que não ama ou nunca foi amada. Amor significa anulação, doação, querer bem. E se a escolha for movida por algo que diga respeito apenas a você: Voilà! O amor é próprio apenas. É egoísta. É o amor pelo peixe. Eu amo peixe. Tanto que o mato para comê-lo e satisfazer a minha vontade, a minha fome. Isso não é amor.

 

Desculpe-me, Belíssima. Mas você apenas foi minha musa, minha motivação e inspiração. Nunca lhe amei e nunca fui amado. Apenas nos servimos, carnalmente, em função de hormônios em ebulição. Desculpe-me, as putas me foram mais sinceras. Obrigado pelo seu corpo. Não lhe pago em dinheiro, pois meu corpo fui sua paga.

Que a vida dê um coração novo,

Escrito por aquele que você não amou.

 

Philosophus Tavernisticus #3

Narratologia

Atualizado: 29 de Ago de 2020

 

A primeira vez que escutei ou li esse termo foi há uns oito anos, quando estava começando a escrever meu primeiro livro: Conspiração Nazi. À época pesquisava sobre ficção, literatura e tudo que se relacionava. Esse estudo das estruturas das narrativas ficcionais ou não ficcionais procura descrever o funcionamento e demonstrar seu mecanismo. Traduzindo: Narratologia é a Gramática dos textos narrativos.

A Narratologia examina o que as criações literárias têm em comum entre si e aquilo que as distingue enquanto narrativas.

Quando notei nas pesquisas que tudo era regido por regras. Acabei por desejar quebrá-las. E fiz um livro que discute, sem pretensão nenhuma, esses modelos.

Bom, houve quem entendeu e se divertiu. Houve quem não gostou. Mas isso que é legal. As quebras de paradigmas não são absolutas, não são unânimes. Eu fiz um livro dentro de outro. Um universo dentro de outro. Que hora ou outra conversam entre si e também com o nosso.

Tudo feito na mais pura e sincera intenção de divertir. Primeiro a mim mesmo. Como cito no livro. Porque eu sou a primeira audiência. E depois ao incauto leitor de minha obra.

Hoje tenho mais experiência com essa seara do conhecimento, mas nada que influencie meu modo de escrever. Ainda quero quebrar regras, mas, como sempre falo para meus alunos: Sem menosprezar quem hipoteticamente leia meus livros. Quero surpreender com elementos novos de estrutura, tramas, reviravoltas. Todavia, sem esconder informações e lá no fim surgir com uma resolução Deus Ex Machina.

Então, terminei o livro, publiquei e deu certo. Acabei de publicar a continuação e ainda estou pensando se publico a terceira parte ou se amplio o universo. Vamos ver como vai ser.

Nesse período, em que estudava e pesquisava para o livro, pensei em outra coisa. Lembrando que nada que fiz é original. Essas ideias que tive outras pessoas já tiveram, mas acho interessante contar a experiência. Voltando... A outra ideia que tive e que acabou virando meu livro "Cenas de um crime”.

A princípio fiquei preocupado se teria condições de criar outras histórias, além das que já tinha, e comecei oito “protolivros”. Ideias “plantadas”, como definiu George Martin, para ver, se regadas, como cresceriam. Aos poucos quis dar um elemento que unisse a todas: uma cidade, ou época, um crime, uma pessoa. Qualquer coisa que unisse a todos os personagens, mas que ao mesmo tempo não tivesse nada a ver com eles no início das histórias. Seriam eventos diferentes que em determinado momento se ligariam, mas escolhas feitas pelos personagens poderiam fazer com que confluíssem ou não. A ideia era começar oito jornadas distintas que talvez se encontrassem. Escrever oito livros independentes que “conversam” entre si.

Engraçado que aos poucos fui desenvolvendo situações onde tudo confluía. Virou uma planta que ao jogar a semente sequer imaginasse qual fruto seria. E muitos galhos, ramos, raízes foram aparecendo, e o universo do Conspiração Nazi se chocou com a ideia do Cenas e tudo virou uma loucura.

Provei a mim mesmo que é possível criar indefinidamente. A única regra é ler muito, aumentar muito nosso repertório. E se preocupar mais com regras em relação aos horários que você vai escrever que achar que vai ficar sem ideias. Ainda estudo Narratologia. Ainda tenho muita coisa para aprender, conhecer. E sempre acreditar que podemos expandir qualquer universo literário. A começar pelos nossos próprios limites.

Até mais!

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Guto Domingues

 

 

#cinema #literatura #culturapop #teoria #opinião #livro #universoexpandido #litetaturanacional

 

Philosophus Tavernisticus #2

Dicas de Literatura

Atualizado: 16 de Ago de 2020

 

Semana passada, foi apenas uma conversa informal sobre pontos que podemos observar e refletir semanalmente nessa coluna.

Estive pensando em um início que não fosse uma apresentação pessoal ou uma descrição do iríamos abordar. Mas agora que já houve esse contato, vamos ao que interessa.

Será que há uma “gramática” na literatura? Um padrão que podemos identificar e analisar? Não digo como crítico literário, mas como diletantes mesmo. Para melhorar nossas escolhas na hora de compor um texto ou encontrar livros que nos agradem. Está-se falando de rótulos? Acho que não. Porque rotular é reducionismo demais. Imaginem na indústria da música. A diversidade de estilos dentro de um gênero. O rock, por exemplo, divide-se em tantas variedades. E a literatura fantástica? Meu Deus! Igualmente rica. Vamos pensar nela um pouco.

A literatura fantástica nos coloca diante de eventos, situações, onde se encontra uma fenda, uma ruptura na realidade, em que se abre um vão pelo qual se vislumbra outro universo ou, em casos específicos, outros universos. Agora invadimos a seara da ficção científica. Tema da futura semana.

Voltemos às definições:

“O termo fantástico vem do latim - phantasticu-, que por sua vez vem do grego - phantastikós-, os dois oriundos de – phantasia - ou seja, o que é criado pela imaginação, o que não existe na realidade, o imaginário, o fabuloso”. Conforme Selma Calasans Rodrigues em O Fantástico.

Sendo assim, Machado de Assis em “Memórias Póstumas de Brás Cubas” é tão fantasia quanto Tolkien em Senhor dos Anéis? Acho que melhor comparação seria Lobato, se considerarmos que “O Sítio do Pica-Pau Amarelo” é cheio de criaturas mágicas, mistura mitologia grega, folclore brasileiro. Quase um mundo mágico paralelo. Alguém no fundo gritou Nárnia? Porque Hogwarts eu ouvi!

Acabei de descobrir que, segundo George Martin, sou um autor jardineiro e não autor arquiteto. A diferença é simples. Um, planta a ideia e segue regando, deixa crescer, poda aqui, poda ali. Acompanha o crescimento, guia os galhos e a árvore se cria. O outro planeja tudo, estrutura, analisa, constrói. Claro que há imprevistos e tal, mas ele os resolve e segue. Ambos estão corretos e são bons, mas cada um é cada um e eu sou um jardineiro. E você?

Voltemos à gramática literária. Com os exemplos acima já notamos alguns padrões, tanto no trabalho do escritor quanto aos elementos de histórias que conhecemos. Notamos que na literatura fantástica há um rompimento com o que consideramos real. Mundos paralelos, magia, futurismo, terror, monstros. Tantos ingredientes. Falando assim, há uma receita? Padrão, ingredientes, receita, estrutura. Sim, há. Há tudo isso e muito mais. A começar pelo conflito inicial que gera uma mudança de rumo, perguntas, respostas ou não e que se encaminha para um destino/desfecho final. Em tudo há um começo, um meio e um fim. Não obrigatoriamente nessa ordem. Mas há. E após anos lendo, vamos percebendo esse jogo de perguntas e respostas e adivinhando situações, desfechos, finais. Vez ou outra, nós somos surpreendidos com um inocente que jamais pensamos ser o culpado. Ou um culpado inocente. Tantas variações. No fim é um jogo. O autor mostra aqui, esconde ali. Vai dando-nos informações verdadeiras ou não. Criamos um mundo em nossa mente e no fim dizemos se gostamos ou não.

Mas e a gramática literária? Alguns a chamam de Narratologia.

Semana que vem mergulhamos no termo.

Até mais. 

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#narratologia #culturapop #cinema #música #literatura #teoria #prática

 

Philosophus Tavernisticus #1

Minhas impressões sobre a escrita.

13 de Ago de 2020

Minha Primeira Regra (talvez única): Não desconsidere sua experiência. Sua vida, suas histórias. 

Tudo é repertório, tudo é jornada, tudo é uma eterna busca de respostas. Qualquer conselho, que escritores, desde o mais simples até o mais sofisticado possam lhe dar, é perpassado por empirismo, vida e experiências pessoais. Ninguém pode falar de algo que não experimentou (digo em percepções sensoriais). Já pensou em descrever como é o gosto de uma maçã? Ou o prazer de sentir a água gelada de um rio ou o afago de uma brisa leve em seu rosto? Como definir emoções, sentimentos, lembranças? Então, não desvalorize a sua própria experiência. Mas junto a essa regra, aprenda com a experiência do outro. Observe.

Grosso modo a escrita é só o registro. O livro é só um suporte, uma tecnologia. Antes de aprofundar conceitos, pense em um passado remoto onde tudo era transmitido oralmente. Esse fenômeno não deixa de ser literatura, pois essa é em si a arte da palavra. Por definição, a transmissão oral é literatura. Mas sem registro informações se perdem. Pense no pastor que risca uma vara ao fim do dia para conferir se todas voltaram ao cercado. Talvez a escrita tenha surgido pela necessidade de transmitir ou guardar informações.

Bom. Acho que estabeleci os pontos que vamos refletir: Experiências, vivências, observação e registro.

Um bom escritor não é aquele que apenas domina as técnicas de registro; linguagem, gramática, semântica, etc. Antes de tudo, ele deve ser um grande observador, um coletor de histórias, um pesquisador do humano e, com isso, de seus sentimentos, ações, escolhas, filosofias, etc. A leitura provoca no leitor respostas físicas. A leitura cria uma empatia, nos colocamos no lugar do outro, nos imaginamos na pele do herói ou do vilão. Choramos, rimos, ficamos com raiva, nojo, indignação. Há necessidade de uma experiência leitora, óbvio. Vivemos a vida do outro. Quando isso não acontece esquecemo-nos do livro, da história, do nome dos personagens. E partirmos para um próximo que nos preencha.

Piegas? Não. Isso já foi testado. Há estudos sobre essas respostas. E isso prova que o principal de uma boa história é a profundidade emocional dos personagens. Não é só uma questão de perfis físicos, cor de pele, cabelo, altura, peso. Mas o que importa é você ser capaz de prever as reações dos personagens, entender como ele pensa e ou como reagiria frente a essa ou aquela situação. Claro. Isso não é regra. Nada é regra. Falo regra como a receita absoluta que vai resolver tudo. A panaceia divina. Não há remédio que cure tudo. Mas há conversas que dão alento.

Aceitei o convite de escrever para esta plataforma em função de um aspecto que acho fundamental. Em um blog há a possibilidade de conversar, comentar, interagir. Esse foi um texto de apresentação, de entrada nesse mundo imenso. Espero continuar em breve.

Que a fogueira não se apague e nossa conversa gere ideias, inspirações, respostas.

Até mais.

 

#literatura #culturapop #opinião

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

 Fala, galera!

Estou fazendo dois cursos novos e estou com algumas ideias para o blog.

Engraçado que eu não planejava nada disso.

Em breve vou começar uma pós em literatura brasileira contemporânea e um curso de bacharelado em Letras.

Minha intenção é analisar Cinema e Literatura.

Em breve novidades!!!!


  Philosophus Tavernisticus #31 Essa semana não li nada diferente nem assisti a algum filme novo. Na verdade, gosto de ver filmes que assi...